sábado, 3 de novembro de 2012

Sarcástico Senhor Sabe-tudo



Alaranjado horizonte
cortante vento na face

A fumaça que envolta no seu rosto te tira a visão do por do sol no vale a esquerda
somado aos óculos que vieram de troco. vagabundos.

O gosto azedo do resto de vinho barato que fica na boca, da noite passada
os dados batendo contra o vidro

A dificuldade de focar sua mente
na compreensão estendida do que é viver

As cordas soltas, soando como num folclore
te dançando mesmo que seus braços estáticos estejam grudados às rédeas

não deveria haver pretensões
esperanças e indagações
só a paz na longitude solitária.
Um sol morno que te esquenta contra um vento frio e árido

O deslizante som confuso, se emaranhando com timbres
fluindo como gotas coloridas do tímpano para as veias
soprando como nuvens escoando para o seu cérebro.

Você reserva o controle total a uma só personalidade
mas ao invés disso, são todas as diferentes formas de viver
que assumem o volante, e te guiam sem rumo ao fim da estrada.

Você tenta caminhar no vento com seus dedos
mas ele só passa por você, ignorando sua resistência
você não sabe mais aonde deve abriga-los.

Não há mais nada palpável
e isso talvez faça com que qualquer coisa
seja um objeto do qual você possa pertencer
e indiferente de seu real valor,
desde que ele esteja por um tempo com você
e permita que você seja nele.

pó, pedra e madeira
divididos com os pássaros.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Além do Limite




mantenho associações sociais e convívio remoto por pura psicose e masoquismo.
as vezes acho que o ruim seria melhor mesmo. aceitar que as coisas nunca vão ser como eu quero
que as pessoas nunca vão me corresponder como perfeitos robôs incrivelmente alinhados a uma linha de produção efetiva. e que a loucura e a ignorância seria a fonte de anestesia mais eficiente do mundo.

essa imensurável vontade de abrir a única porta solitária no meio do deserto.
e se ver diante de um espelho cru, cruel, impiedoso e real, apesar dos pesares
tão qual a Própria porta.
vontade essa de correr de encontro com o lado de fora, abraçar o próprio corpo como
se fosse o único ponto fixo pra se olhar.
mas o passo adiante não me revela nada
mais um passo adiante e o espelho me joga pro lado irreal de volta
e eu me dobro pra ver minha face de volta.

o relógio que me prende no adverso mundo de fantasias
o calendário que me prega na rotina
e todo o pequeno e sempre sugestivo dinheiro
que me faz não ser. que tenta me dominar.
cada edificação que torna o deserto menos habitável
cada pessoa como um pequeno alfinete atravessando o espelho
destruindo pequenas porções de sua superfície.

tudo isso
e nada disso
vai mudar o padrão impróprio de auto-mutação.
vou continuar coexistindo com a vida
sendo subjugado por meus pensamentos,
condenado pelos meus olhos.
mergulhado nos meus ossos
sendo errado sempre por opção
e não Sendo por coincidência

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Anesthesia





I pray every night for madness
by comfort in pain
by indifference in absence
and in the rationale of things

by madness

every night
I cry for fear it

anesthesia

There is no fear in madness.
there are only feelings misinterpreted
caged on a gray brain,
without any key.
sucking all life with your black hole eyes.

no fear, no pain and no distance between now and nevermore.

but, there is an action.
a distraction within a blink of an eye

where two points on a same sheet that folds, meet.
and here comes the boom end!

Soothing, calm and quiet.

domingo, 30 de setembro de 2012

Arguir





A culpa está na minha mente, mesmo quando ela realmente não quer estar 
e nem a mente quer aloja-la, mas a mente precisa de um lugar para acomodar a culpa. 
Ela precisa de uma moradia e há sempre um espaço vago quando se há questões a responder... a perguntar. No fundo eu quero achar que é uma culpa que não existe, mas sei que não é a culpa que se apropria disso. Não há, não há culpado além de mim mesmo, mesmo eu querendo, mesmo eu não querendo. 
Mesmo que eu saiba que não há culpa 
apenas espaços vazios procurando serem preenchidos pra alma não perceber a grande falta que um dia eu devo ter adquirido na minha pequena jornada ridícula de macaco andante. 

Foi o que um passarinho me contou.

domingo, 16 de setembro de 2012

A Monkey Monk



You look like a little Monk,
Your Teeth just hide your Tongue
So com'on here pretty boy
Put you brain on dirty floor
and dance with my single song.

You look like a smelly monkey
Your legs are dancing funk.
So, pick ink and do tattoo
lock your ear, it's fun for you
and dance it, you freak funny

domingo, 9 de setembro de 2012

Smoke

"Corre o que correr Custe o que custar"
As cordas soando
chacoalhar a cabeça.
Desambiguar.
Lembrar o que há de possível
e esquecer tudo
Drenar o psciológico do que te faz
querer não dançar

Questionar
sempre
até a dor.

Deixar de sobreviver e
engajar num mundo paralelo

Artificar...
 ...pra tornar menos
pior
Evaporar

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Estranho em casa



Não há um começo em definitivo.
você vai se lembrar de fragmentos...
de flashes escurecidos de seu eterno baú empoeirado
mas não vai saber tomar em suas mãos um lápis
para desenhar o que representa o começo.

A loucura... a média...
a margem do qual seu nome vai pertencer
seus olhos e sua imaginação
até aonde sua mente pode cogitar o irreal
todos os limites

Do tamanho de uma semente e não mais.
com os braços dispostos a abraçar todo o mundo.
você deve ter todo o sentimento pra que possa ser crédulo

Deve erguer uma pá
construir uma árvore
e plantar uma casa.

Você tem que acenar para eles,
como se entendesse sua posição.
você tem que sorrir. Tem que acenar!
e ler e ouvir todos os contos fajutos
que vão te cercando.

Não há tanto tempo para encher todo
esse saco com quinquilharias.
você deve se lembrar antes dos trinta

Deve salvar a si mesmo

Encontrar-se arrastado
debruçado na vontade

Aguardado a verdade real
dolorida e fiel aos traços
do trilho construído pelo próprio punho
martelado pela própria alma.

domingo, 26 de agosto de 2012

Aperto Bilateral




Aos meus amigos eu digo:
A vida passa, e quando você nem sente, a dor vai embora.
Aí você já viveu.

Você não vai poder reparar... mas já se foi.
Num final sem ambições e esperanças
nada mais te machuca, nem sua inexistência.

=]

sábado, 18 de agosto de 2012

Poder




Então me diga...
Se você tivesse papel e caneta
em mãos
Como faria Deus ?

Se você tivesse uma borracha
e tivesse consciência.

Você seria o mesmo que foi ?

Você olharia para trás,
para dentro, e além
e seria o mesmo.

Seria um continente de sentimentos mortos ?
Seria a vontade de continuar ?
A necessidade ?
Ou o impulso violento e intermitente ?

Todos são sujeira do mesmo saco de lixo
e a mesma história, chata e ridícula
de não aceitar a encarnação faz 
parte de um só em mim.

Então, no final de tudo,
você já saberia me dizer
como faria ?

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Plano




Realize suas dores
Distraia seu caminho
Abra seus braços e se renda
de frente ao caos,
perante ao máximo de sua existência.

Salve sua vida,
acabe com ela
de qualquer jeito.

Não há nada que você queira que está por vir.
Você já foi
Viu e ouviu do mais brilhante mosaico sinestésico.
Aprendeu tudo o que te amarrotaram na cabeça,
o que te parafusaram nos olhos e te martelaram nos ouvidos.

Agora estão todos se debatendo como peixes dentro do coliseu
e você aí,
com sua coroa de vidro cravada no cranio,
sua flanela encardida entranhada nos olhos.
Todas as agulhas enfiadas até os ossos,
sentado no alto do seu trono de dor e esperança
esperando a vida passar.

Inútil, ordinário e humanamente mundano.
Você nunca vai morrer.