sexta-feira, 5 de abril de 2013

Gatilho eidético



Você se lembra dos antigos campos
onde se construíam correntes,
onde era verde e passageiro ?

Mas já não é mais

Lembra onde as ideias permeavam um mundo
hoje conhecido como irreal ?
As projeções eram simples
e idiotas, e não há hoje sinal aparente
pra que fosse verdade todas as
vontades.

O limite da verdade interior,
e do sentir-se,
vai até o fim de si mesmo e não passa disso,
embora algumas dessas verdades tentem fugir,
embora alguns olhares tentem roubar e
definir a verdade alheia, cada uma é exclusiva
e a única que é real e verdadeiramente
interessante, pra quem a vive.

É estranho o pensamento de desespero
quando se fala na morte do corpo,
no preparo que temos para quando
a vontade desaparece.

Se você não está indo agora, não há porquê
se desesperar, e se você está,
não tem amanhã para se preocupar
e chorar seus lamentos de não existência

Ainda creio eu que não seja essa
uma ideia mórbida.

Inseridos sob os olhos, uma pequena dúvida
instiga toda a atenção à deitar-se com a preocupação
da divindade de viver através do amanhã

Um evidente sinal vital que se arrasta
pra justificar o novo raiar da íris,
a descoberta da luz,
o reflexo das horas;
Um sentimento de fim interno do eu
alongado e espalhado
sobre uma grande fatia de pão

quinta-feira, 14 de março de 2013

Centro do Palco

Da Série - Rabiscando Ideias na Luz Falsa



De lá,
o ilustrícimo senhor amanhecer,
da noite pro vinho cortou seus indicadores
e sem saber
como num passe de mágica
costurou seu destino num laço
e agora passa sua vida dentro do próprio cativeiro
cultivando o nada,
olhando ao longo do lago
as interpersonalizações
almejando compreende-las,
rabiscando ideias na luz falsa,
tratando mais do questão-eu
em particular distancia segura.
flechando as miragens,
fitando os sentidos, imaginando
construindo pedra por pedra
o seu forte.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Peça



O vidro me mantem frio,
numa cela sistemática
de constância neutra,
numa cadeia de horas
onde não cabe o espaço
da pergunta "por que".

Será esse o bom-dia que eu quero ouvir ?

Trancado, retilíneo e uniforme
deixando o dia amarelado pra trás.

Quando no distante mundo interno
há uma pausa,
eu me lembro de que
ainda não me encaixo

e deixo.

Quando o medo não fizer mais sentido
e o viver for mais que uma fumaça
sem destino, obrigatória nos pulmões

eu vou.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Hora




É tudo tão só aqui no quieto da noite
que as vezes nem sei se fui
ou se ainda estou

inquieto instante momento
que já se foi
e é.
O mundo da o ar
da graça.
São horas passadas
que amanhã me custarão
os olhos
a calma,
e talvez a paz do dia.

E é custoso, além,
saber um tanto mais
do atemporal costume de viver.
seguindo a vida
nas vielas do castelo
escondido no topo dos corações.

Eu ainda sei
que nada para
e não se sabe aonde vai parar
além da imensidão do infindável mundo.

Derivados sons,
encruzilhados sentimentos
São pássaros passados
que não tem preço.
Sem olhar pra trás.

Então me vejo e acho graça
porque não há nada de mim
nas horas

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Inerte




Existe além do chão quebrado,
além do céu empalhado e estático,
uma estrada sinuosa e turva
onde meus pés não invocam,
onde minhas lagrimas não chegam ao solo.

Há além do limiar horizonte dos nossos olhos
um grande e pertinente buraco
que se alastra cada vez mais pra dentro,
pra cima
e pra baixo
cortando todas as veias,
explodindo todos neurônios,
gotejando cada ser
aos poucos
na margem da vida.

Existem dois pés
um par.
Existe milhares de imensas chaves
e sua mão não consegue alcança-las
quanto menos apanha-las.
São só chaves, não se vê fechaduras.
Adornadas chaves sem segredos
retas e lisas
feitas pra trancar o futuro
e deslocadas pro nada.

São todas cordas bambas
tensas num rastilho desgastado
levando sangue,
captado e bombeado
de forma amplificada e contraída.
São ondas de fumaças douradas
que insinuam uma silhueta torta
e rasgada de um ser mórbido,
apático e incapaz de se reconhecer,
incapaz de achar seu bem.

Despido de pretensões
Vontades
Satisfação

Uma forma abstraída,
focada egoistamente num centro de pensamentos
completamente emaranhados.

A ponta de um iceberg de diamante
que brilha e reluz, sob a fria aurora
que baila suas curvas,
a luz do enfraquecido astro
que diz um adeus aquentador no horizonte
distante.

Há areia,
Gelo,
Grama, terra e pedra.

Há vento,
Chuva,
Relógios, cadeiras e chás.

Há um além desses olhos mortais
destinados a prisão da própria mente
num amontoado de papel-moeda
sentado, falando sozinho.


Há um nome na certidão,
há uma presença na multidão,
por mais que não seja a intenção,
nem a vontade,
ainda existe um corpo vivendo aqui fora.

Mas esse não sou eu.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Momento




Apenas sabe-se que não há vida atrás do opaco ardor dos seus olhos

Profundo e gotejante negro, que avassala em uma espiral

Sereno e sincero olhar interior, calmaria da alma

Os dedos retalham as cordas, e elas soam raivosamente ecoando dentre as ondas do seus cabelos e barbas dourado palha.

Suas feridas estão expostas, seu ardor está vibrante,
suas chagas são cartazes, seus sentimentos estão a venda
mas o preço não atrai ninguém
e a arma apontada para sua cabeça não ajuda

Entre os lados possíveis, as pernas bambas e fracas
entorpecidas pelo som, tentam fraquejantes sustentar a caixa esquelética que circunda seus pulmões inicialmente esfumaçados

Há uma cortina de pelos tampando o rosto e uma estranha camada de despreocupação alheia vestida na pele, incrustadas nas rugas que já morreram na sua destemida face risonha. já se foi.

O pano que recobre seus ombros são tão falhos e imundos quanto o topo de sua presença. estão rasgados, velhos, parcialmente inutilizáveis e provavelmente com mal cheiro, mas o desvio é um grande favor na alienação dos sentimentos, e não importa o que saia dos seus pés e dobras, há sempre uma rota alternativa para um conforto inocente.

Sua ferramenta esta longe de causar alguma intimidação
ela atrai e repulsa tudo que poderia se imaginar da soma do ser e da coisa.
ela é uma via, aonde os fatos passam do inconsciente dormitório ao passeio de manhã num jardim de outono, ainda que com sua camisa de força e suas coleiras cheias de peso metálico.

Ainda que impreciso seus apêndices sobre a condução de uma expressão, existe um verdadeiro e profundo sentimento sendo gritado ali, de dentro pra fora, e há poucas coisas que possam captar e vibrar ainda que dissonantes, em resposta a vontade de dizer algo.

A perícia é minimamente requisitada, desde que ainda seja de forma real.

Não se trata de alguem...

E ainda que totalmente deturpado o sinal, a frequência e forma única, simples e sofisticada com que esses ventos ganham direção, eles ainda estão soprando, e assoviando em cada curva

Deixando para trás cada momento morto
e matando um novo presente.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Grow up



The age is shipping to normality of human's life, and then, the death for conclude.

Maroon Ghost





There is nowhere to escape.
Tomorrow you and I will be us again, and when we are not, we'll be you and me. on each alone side, being truly ourselves only when we don't need be for someone.

There is no importance ...
And nobody can see.
No one needs to see 'cause everyone are the same shit,
the same maroon ghost.

Be forgotten, forget

and not caring.
This is just a passing and the end always comes with a reliever smile.


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Cover


Sneezy, sneezy, sneezy boy...
You must  forget them
and play with a toy.

Pretty, pretty, so pretty deploy...
You've got the key
let turn on, on the door.

Creep, creep, creep in the fall...
Your mind is ripped
there is no one to call.

Wooooooooooow.

Build, build, building the wall...
Smash and crush 
and hit them all.

Question and ask and question again...
Mend with your skin
all to cover your pain.

Okie dokie, smelly doo...
Eating my nose
and walk like a fool.


I wish for all a slow and painful death, more than is happening to me and less than is happening for them...
...In a coffin on the open sky


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Bem-vindo meu filho



Olá...
Diga olá aos contornos do dia
cerre seus olhos com a força de mil elefantes
estenda sua mão fraquejante, aquém de si mesmo
e se embebede do liquido visceral, matinal, que cobre as horas

Diga bom dia aos pássaros que não voam por você
cerre seus punhos sem obstinações e pretensões
guarde dentro do seu estomago as emoções
e consuma todo o ódio da ultima noite.

Diga olá para seus bons companheiros
aperte sua gravata, pigarreie, estique seus ossos
minimize sua pupila, esvazie a mente e abra a janela
ilumine artificialmente, do alto de seus números, seu rosto inchado

Diga seu nome, diga seu registro, insira seu código
bip bip
são os códigos
enfileirados em barras
bip bip
são os números chamando na sua cabeça

Não diga boa noite, não há carência
Não diga adeus, não é preciso
Não se contradiga
Amasse a bula, coma a cartela
tome toda sua abstinência num gole

esqueça que você viveu
a essência se perdeu
e você morreu há anos
quando decidiu deixar
de viver.
você não precisa
mais ser você
só deixe ser
o que é
impreciso.
estamos
todos mortos
e caminhando
em amontoados
de pseudo-emoções
pseudo-consciência
agarrados em bóias furadas
no rio da morte
encharcados de verdade.

Já se foi.
Diga bom dia,
Seja bem vindo novamente.