domingo, 9 de setembro de 2012

Smoke

"Corre o que correr Custe o que custar"
As cordas soando
chacoalhar a cabeça.
Desambiguar.
Lembrar o que há de possível
e esquecer tudo
Drenar o psciológico do que te faz
querer não dançar

Questionar
sempre
até a dor.

Deixar de sobreviver e
engajar num mundo paralelo

Artificar...
 ...pra tornar menos
pior
Evaporar

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Estranho em casa



Não há um começo em definitivo.
você vai se lembrar de fragmentos...
de flashes escurecidos de seu eterno baú empoeirado
mas não vai saber tomar em suas mãos um lápis
para desenhar o que representa o começo.

A loucura... a média...
a margem do qual seu nome vai pertencer
seus olhos e sua imaginação
até aonde sua mente pode cogitar o irreal
todos os limites

Do tamanho de uma semente e não mais.
com os braços dispostos a abraçar todo o mundo.
você deve ter todo o sentimento pra que possa ser crédulo

Deve erguer uma pá
construir uma árvore
e plantar uma casa.

Você tem que acenar para eles,
como se entendesse sua posição.
você tem que sorrir. Tem que acenar!
e ler e ouvir todos os contos fajutos
que vão te cercando.

Não há tanto tempo para encher todo
esse saco com quinquilharias.
você deve se lembrar antes dos trinta

Deve salvar a si mesmo

Encontrar-se arrastado
debruçado na vontade

Aguardado a verdade real
dolorida e fiel aos traços
do trilho construído pelo próprio punho
martelado pela própria alma.

domingo, 26 de agosto de 2012

Aperto Bilateral




Aos meus amigos eu digo:
A vida passa, e quando você nem sente, a dor vai embora.
Aí você já viveu.

Você não vai poder reparar... mas já se foi.
Num final sem ambições e esperanças
nada mais te machuca, nem sua inexistência.

=]

sábado, 18 de agosto de 2012

Poder




Então me diga...
Se você tivesse papel e caneta
em mãos
Como faria Deus ?

Se você tivesse uma borracha
e tivesse consciência.

Você seria o mesmo que foi ?

Você olharia para trás,
para dentro, e além
e seria o mesmo.

Seria um continente de sentimentos mortos ?
Seria a vontade de continuar ?
A necessidade ?
Ou o impulso violento e intermitente ?

Todos são sujeira do mesmo saco de lixo
e a mesma história, chata e ridícula
de não aceitar a encarnação faz 
parte de um só em mim.

Então, no final de tudo,
você já saberia me dizer
como faria ?

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Plano




Realize suas dores
Distraia seu caminho
Abra seus braços e se renda
de frente ao caos,
perante ao máximo de sua existência.

Salve sua vida,
acabe com ela
de qualquer jeito.

Não há nada que você queira que está por vir.
Você já foi
Viu e ouviu do mais brilhante mosaico sinestésico.
Aprendeu tudo o que te amarrotaram na cabeça,
o que te parafusaram nos olhos e te martelaram nos ouvidos.

Agora estão todos se debatendo como peixes dentro do coliseu
e você aí,
com sua coroa de vidro cravada no cranio,
sua flanela encardida entranhada nos olhos.
Todas as agulhas enfiadas até os ossos,
sentado no alto do seu trono de dor e esperança
esperando a vida passar.

Inútil, ordinário e humanamente mundano.
Você nunca vai morrer.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Para Trás



Quando a dor soa mais alto
e sua cabeça está sobre seus pés
é melhor chorar de boca fechada
e tapar os ouvidos com facas cegas
pra criar todo o montante de conteudo
que vai habitar o resto dos pensamentos
daqueles que, por omissão, decidiram ficar.

sábado, 21 de julho de 2012

Aglomerante



É o fim do mundo...
E é estranho pensar que isso tudo aconteceu de uma hora pra outra,
é estranho saber só agora que enquanto eu me emudecia de tanto falar,
enquanto eu ficava inerte de tanto escutar, o mundo la fora ainda era o mesmo.
Falido e fardado.

Sempre à beira do fim.

É estranho ter que voltar nesse assunto e repetir várias vezes tudo o que eu já estou cansado de saber
ter que vivenciar todas as coisas performando um castelo de areia pra proteger da chuva
todos os olhares reais e expressivos.

"Muitos castelos já caíram, e você ta na mira."

Todo mundo sabe o que vem depois do final, mas nega a aceitar, preferem refletir toda
a responsabilidade de saber do futuro pra bolas de cristal e outros reluzentes ouros de tolo,
pra ombros distantes no tempo, ou divinos.
É estranho ter que pensar nisso tudo aqui queimando o rosto com luz artificial,
sentado vendo a merda ser espalhada e descargada sem poder fazer muita coisa, além de querer ir junto.


"O que devemos usar para preencher espaços vazios?
Espaços onde costumávamos falar?
Como devo preencher os últimos lugares?
Como posso completar o muro?"

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Freio...




Novamente, novamente é estranho ter que debulhar assuntos
e lembrar que ultimamente eu ando tão alheio as outras coisas
e pensando tanto em mim que ja estou esquecendo de viver.
     
Ando achando tudo tão sem graça, e as coisas me parecem diferentes
de como eram antes... eu apenas acho e não consigo mudar
posso conviver com isso, esquecer e deixar passar por saber
que é apenas o que é e vai continuar normal.
     
Mas são coisas muitas essas, que sempre se amontoam num sofá bordô despedaçado e desbotado
num canto de uma sala cinza com paredes rachando por todos os quatro únicos cantos,
o pó tomando conta do chão de tábua e a luz fraca, amarelada de 40wats
deixando passar desapercebido os mosquitos e a poeira pouco densa que sobe do chão.

Como um monte de roupas velhas, a vontade é de ficar inerte
e debilitadamente impensante, confortavelmente entorpecido
sem lembrar que existe um mundo totalmente ridículo para se viver lá fora.

Menos ridículo apenas que uma mente que pensa que pode julgar os fatos
e saber que está num local antiquado para suas experiencias.
Que enquadra cada pensamento num local inadequado apenas pra
saciar a sua vontade de estar certo e diferente, e supostamente indiferente.

A vida é longa, e ninguem disse que seria um mar de rosas.
Ninguém disse.

Niguém.

A viagem só não continua pra quem não está no trem,
a viagem não continua pro trilho,
a viagem não continua pro carvão
que fica pra trás
com o ar
que é mais livre
do que as rodas de ferro frio
que tem destino certo.

... Onde está você pra cantar pra mim os ruidos de ninar ?

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Vontade




perdi toda a graça que eu tinha,
eu perdi todo o meu repertório de harmonia,
perdi a vontade de ser diferente,
de querer ser mais do que só gente.


eu não queria eu pro mundo.

domingo, 24 de junho de 2012

Prorizonte Distante



Acho que não fosse por outras ancoras dimensionais
recreativamente me martelando na bigorna em busca da realidade
facilmente eu me esqueceria de mim mesmo
até o ponto de não existir mais dentro de mim.

Uma casca fina de simpatia e compaixão.

Parece que todas as cordas, todas as correntes,
todas as pontas e vertentes que me ligavam ao futuro sólido, rígido e frio
se acalmam discretamente atrás na fila de espera.

Amanhã eu me vou,
e ninguém vai sentir a falta que há de existir só praqueles que ainda se lembram.